Tratamento

Os distúrbios alimentares são multideterminados. Factores culturais, individuais e familiares contribuem para o seu desenvolvimento, de diferentes formas, em indivíduos diferentes.

O tratamento do distúrbio alimentar é complexo, moroso e especializado, reconhecidamente difícil, em que a eficácia do protocolo terapêutico depende da existência de condições adequadas e de uma equipa multidisciplinar que funcione de forma a lidar, eficazmente, com os aspectos psicológicos, psiquiátricos, médicos e sociais destes distúrbios.

A intervenção terapêutica mais validada empiricamente e com melhores resultados terapêuticos (diminuição da sintomatologia e diminuição da taxa de recaída) é o tratamento cognitivo-comportamental. O modelo conceptual subjacente permite uma compreensão e formulação dos distúrbios alimentares, com base na natureza interactiva dos vários factores de risco, precipitantes, manutenção e de protecção.

O tratamento cognitivo-comportamental em termos gerais, faz-se em três etapas:

Primeira – recuperação do peso e regularização do padrão alimentar;

Segundo – reestruturação cognitiva;

Terceira – prevenção da recaída.

As decisões relativas ao tratamento, em cada etapa são tomadas de acordo com alguns critérios fundamentais:

  • Idade da jovem
  • Contexto da vida actual
  • Duração e evolução do distúrbio
  • Sintomatologia actual
  • Tratamentos anteriores
  • Personalidade previa (depressão, problemas do controlo do impulso, etc.).
  • Estado físico

Habitualmente o tratamento cognitivo-comportamental é feito em regime de ambulatório, podendo em determinadas situações específicas (ex., perda de peso progressiva e acentuada com sérias complicações físicas, existências de índices elevados de psicopatologia, etc) ser necessária a hospitalização.

Compulsão alimentar

Caracteriza-se pela vontade irresistível de ingerir uma grande quantidade de alimentos até o limite do desconforto físico. Por causa dos embaraços dessas "farras alimentares" costumam ser feitas a sós e costumam ser seguidas de sentimento de culpa e depressão. Pessoas com o transtorno do comer compulsivo costumam ser obesas, uma vez que seu ganho calórico é muito superior ao gasto. Além disso, esses doentes têm propensão a diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Bulimia

Assim como o comedor compulsivo, o doente de bulimia nervosa passa por surtos de ingestão excessiva de alimentos, mas, temendo engordar e para compensar os exageros, força uma "desintoxicação" por meio de vómitos, diuréticos e laxantes. Os bulímicos exercitam-se compulsivamente e, em geral, mantêm o peso corporal em uma faixa normal. Esse distúrbio pode causar insuficiência cardíaca, desgaste no esmalte dos dentes devido ao ácido clorídrico do vómito, inflamação no esófago, desinteresse sexual e, em casos extremos, ruptura do estômago. Os transtornos alimentares são processos crónicos e complicados e sua cura não costuma ser rápida ou milagrosa. Por isso, quanto mais cedo se descobre um transtorno alimentar, mais probabilidade de sucesso tem o tratamento que envolve o trabalho de médicos, nutricionistas e psicólogos. Além da orientação nutricional, terapias de grupos ou familiar podem ser úteis, desde que aliados à motivação, persistência e investimento por parte do doente e seus familiares.

Anorexia

Caracterizada pela recusa voluntária à ingestão de alimentos e pela preocupação do doente em manter-se excessivamente magro. Afecta principalmente mulheres adolescentes e pode levar à morte por inanição ou parada cardíaca. A maioria das pessoas anoréxicas evita alimentar-se em público, contabiliza as calorias das refeições, faz exercícios compulsivamente e mantém o peso corporal muito abaixo do desejado. O grande perigo está no fato de o anoréxico enxergar-se de forma distorcida, achando-se sempre gordo. Uma das consequências desse distúrbios é o aparecimento de atrofias irreversíveis no córtex cerebral. Na mulher, além da perda de peso, pode ocorrer amenorreia (ausência de menstruação) e no homem, impotência.

Regras Alimentares

Não basta comer, é necessário comer bem.

A alimentação desequilibrada, por carência ou excesso, leva ao aparecimento de várias doenças.

Todos os alimentos têm importância no bom funcionamento do organismo.

Regras fundamentais:

  • Refeições fraccionadas (três principais e duas a três intercalares)
  • O pequeno-almoço é muito importante, não deve ser omitido
  • É obrigatório o consumo diário de leite e derivados (queijo e iogurtes,...)
  • Comer legumes, saladas e frutas frescas diariamente
  • Os cereais, leguminosas secas e batata são importantes em alimentação saudável
  • O azeite à a melhor gordura, quer como tempero, quer para confecção.
  • Consumir carne, peixe ou ovos em duas das refeições principais
  • Evitar o consumo de gorduras saturadas (pizas, batata frita, molhos, bolos, hambúrguer, charcutaria,..)
  • Moderar o consumo de açúcar e alimentos açucarados

O que são Distúrbios Alimentares?

São doenças psiquiátricas estando na sua origem a interacção de factores psicológicos, biológicos, familiares e sócio-culturais. Caracterizam-se, fundamentalmente por alterações significativas do comportamento alimentar.

Os distúrbios alimentares ocorrem predominantemente nos países industrializados, tendo uma incidência menor nos países pouco desenvolvidos e fora do mundo ocidental. Afectam sobretudo as mulheres jovens, aparecendo no homem apenas em cerca de 10 % dos casos. Dados como estes indicam que os distúrbios alimentares estão interligados a factores sócio-culturais. Existe um largo consenso entre investigadores e clínicos que isoladamente nenhum factor etiológico só por si é suficiente para explicar o desenvolvimento de um distúrbio alimentar ou contribui para explicar a variância entre a população clínica. A importância relativa das influências sócio-culturais, biológicas, psicológicas e familiares e a forma como interagem entre si pode ser diferente consoante o período de desenvolvimento da jovem, influenciando o aparecimento ou não do distúrbio alimentar e a sua cronicidade.

Sabe-se que não se deve a modas, mas que a pressão cultural para a magreza, a insatisfação e a preocupação com o peso podem contribuir, juntamente com outros factores, para um aumento da vulnerabilidade, que por sua vez pode levar á tomada de decisão de iniciar uma dieta. É pertinente referir que a dieta só por si não constitui uma condição suficiente para o desencadear de um distúrbio alimentar, mas é uma condição necessária, dado que não existem distúrbios alimentares sem dieta.

Dos vários distúrbios alimentares existentes destacamos a Anorexia Nervosa Tipo Restritivo ou Purgativo, a Bulimia Nervosa Tipo Purgativo ou não Purgativo e a Ingestão Compulsiva.

Uma possível resposta aos distúrbios alimentares

Uma reacção imunitária indevida contra as próprias proteínas pode ter um papel importante nos aspectos psicológicos dos distúrbios alimentares. De acordo com um estudo divulgado pelo jornal da National Academy of Science, não é apenas o nível elevado de anti-corpos que explica os traços de comportamento, como a insatisfação com o corpo, mas sim o facto destes anti-corpos ultrapassarem a barreira cerebro-sanguínea e provocarem problemas mentais.

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